INESQUECÍVEL

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MOMENTOS

domingo, 13 de dezembro de 2009

A partida




Deixe-me ir, suplico-te deixe-me ir...
O espetáculo acabou.
Fecharam-se as cortinas e no palco da nossa historia já não existe emoção.
Os aplausos cessaram e todos se retiraram.
Ficamos apenas eu e você, nessa encenação mórbida da morte falida de todas as emoções.
Deixe-me ir. Não existe mais querer.
O riso morreu, a esperança adormeceu dentro e fora do coração.
Já não suporto ficar presa nessa invisível teia produzida por medos da perda, do afastamento e também da solidão,
Não me detenhas mais...
Meus dedos em tuas mãos deslizam suavemente encenando a despedida dessa bonita paixão.
Os lábios ensaiam palavras pondo um ponto final, nas notas dessa canção que por um tempo tocou nas paradas do amor.
Já não posso mais ficar.
Quero recomeçar, outra peça encenar no anfiteatro produzido e armado desse bobo coração.
Deixe-me partir...
O trem da vida me espera e eu parada nessa estação; presto em ti meu olhar, enquanto tentas com gestos ou por palavras chamar a minha atenção.
Os fios da nossa teia quase todos se partiram, não há mais o que segurar e sozinha nessa estação eu não posso mais ficar.
Despertei da letargia o tempo se esvaiu, recolha minha bagagem, repletas de esperança e deixo jogado ao chão pedaço de ilusão.
O apito do trem me avisa. Preciso ir.
Ainda olho para trás enquanto lenta caminho. Nada mais há de real, apenas a ficção de quem pretende deter, mesmo sem querer no jogo da sedução.
Me solta, pois já te deixei partir...
Não me detenhas, pois tenho muito a viver e esse trem que eu espero não o pretendo perder.
Não consigo mais estar no porto da solidão.
As amarras eu soltei, libertei meu coração.
Por isso, eu te suplico deixa-me levantar a âncora e nesse barco partir, outras praias conhecer, em outros portos ancorar em busca da minha Ítaca.Eu não pretendo ficar.
Vou me desvencilhar, pois quero outra vez amar, mergulhar em águas calmas, partilhar meus sentimentos e em versos e em prosas há um novo amor entregar.
Necessito alçar vôo, o chão não me satisfaz partir de qualquer maneira, deixar o passado para trás. Olhá-lo por entre as nuvens e o ver menor ficar, perdendo-se pouco a pouco na distancia.
Por isso não me empeças, nem um minuto sequer quero aqui ficar.
Eu quero e preciso ir.
Torno a replicar, não me detenhas, deixa-me ir por ai.

Vera Cavalcante

2 comentários:

Felippe Serpa disse...

poxa, verinha! eu consegui inclusive produzir imagens a partir da sua escrita! está bem legal. e bem atual tb... quem nunca sentiu essas coisas todas descritas no poema? parabéns! bjim.

aderivan disse...

Acredite! em breve estaremos participando de lançamento do livro da mais nova poetisa. Talento e pra quem tem.
Parabéns