Eu quis ter a primavera.
Depois de um longo inverno de frio cortante e intenso, em um abrigo escuro, úmido e inseguro...
Eu quis fazer a primavera.
Sem saber que a primavera se espera e não se faz.
Preparei meu coração, como a terra se prepara.
Tirei as ervas daninha, arranquei os carrapichos e com o arado da ilusão eu gradei com precisão o solo do coração.
Joguei o adubo da esperança e juntei com o do desejo;
Esperei que a junção desses dois ingredientes produzisse lindas flores no jardim do coração.
Por não querer esperar pela chuva serôdia ou quiçá a temporã reguei por gotejamento o que fora semeado no solo do coração;
Plantei nele a esperança, o amor e a paixão, dos três o último vingou, brotou junto com os espinhos no solo do coração.
Eu que queria as flores e os tons primaveris, passei a colher então... Rosas da desilusão, que brotavam e murchavam no solo do coração.
Nasceu também a esperança que viesse a brotar as flores da primavera no solo que estou a regar.
Essa doce esperança se renova sem cessar, pois eu creio nas sementes que permaneço a plantar no solo do coração.
No entanto, descobri que não devo me apressar, visto que essa estação não se pode fabricar somente no tempo certo ela vai desabrochar.
E com os vários tons de verde e o colorido das flores, enfeita com emoção a terra bem cultivada do solo do coração.
Vera Cavalcante
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